A doença de Parkinson (DP) é uma condição neurodegenerativa progressiva que afeta principalmente o controle dos movimentos do corpo. Os sintomas mais frequentes incluem tremores, rigidez muscular, lentidão dos movimentos e alterações no equilíbrio, bem como manifestações relacionadas ao sono, à memória e à fala ao longo da evolução da doença. Diante das limitações terapêuticas existentes e do interesse crescente no uso medicinal da cannabis, foi conduzida uma revisão sistemática para avaliar a eficácia e a segurança dos derivados da cannabis e de seus análogos sintéticos em pessoas com doença de Parkinson.
O estudo foi elaborado pelo Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde/Núcleo de Evidências do Hospital Sírio-Libanês (NATS/NEv-HSL), em parceria com o Departamento de Gestão das Demandas em Judicialização na Saúde (DJUD) do Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio do PROADI-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde).
A revisão sistemática incluiu 15 estudos, sendo dez finalizados e cinco ainda em andamento. Os estudos analisaram diferentes formulações de derivados da cannabis, incluindo combinações de canabidiol (CBD), tetraidrocanabinol (THC) e análogos sintéticos, comparadas ao placebo em pessoas com doença de Parkinson. O número de participantes incluídos nos estudos variou de 9 a 61; em alguns estudos, os participantes foram acompanhados por algumas horas, enquanto em outros por até 12 semanas.
Os resultados indicaram incerteza quanto aos efeitos dos derivados da cannabis sobre a gravidade da doença, a função motora, a cognição, a qualidade de vida e a ocorrência de eventos adversos graves. Em algumas comparações, os estudos sugeriram pouco ou nenhum efeito clínico relevante comparado ao placebo.
A revisão também destacou limitações importantes das evidências disponíveis, como pequeno número de participantes incluídos nos estudos, uso de diferentes tipos de derivados de cannabis e limitações metodológicas dos estudos incluídos. Segundo os autores, essas limitações reduzem a confiança nos resultados e indicam a necessidade de pesquisas adicionais mais robustas para esclarecer os potenciais benefícios e riscos do uso da cannabis na doença de Parkinson.
Acesse a revisão:
https://www.pje.jus.br/e-natjus/arquivo-download.php?hash=b23bea1374a8459ba0163a3e96575a8924f64f95

