A distrofia muscular de Duchenne (DMD) é uma doença genética neuromuscular degenerativa, caracterizada por fraqueza e atrofia muscular progressivas. As primeiras manifestações geralmente surgem entre os dois e três anos de idade e, com a progressão da doença, podem ocorrer perda da capacidade de andar e comprometimentos respiratórios e cardíacos. A doença é causada por mutações no gene DMD, responsável pela produção da distrofina, uma proteína essencial para o funcionamento do tecido muscular. 

A casimersena é um oligonucleotídeo antissenso desenvolvido para promover o salto do éxon 45 e permitir a produção de distrofina. O medicamento foi aprovado nos Estados Unidos em 2021 para o tratamento de pessoas com DMD e mutação confirmada passível de salto do éxon 45. No Brasil, a casimersena ainda não foi avaliada pela Anvisa e, portanto, não é comercializada no país. 

Diante desse cenário, foi conduzida uma revisão sistemática para avaliar a eficácia e a segurança da casimersena no tratamento de pessoas com DMD e mutação passível de salto do éxon 45. A revisão sistemática incluiu dois ensaios clínicos randomizados (ECR) que avaliaram, ao todo, 149 participantes com DMD e mutação passível de salto no éxon 45. Os dois estudos compararam a casimersena ao placebo, com períodos de acompanhamento de 12 e 96 semanas, respectivamente. Um dos ECR incluiu 12 participantes e avaliou principalmente a segurança e a tolerabilidade da casimersena. O outro, denominado ESSENCE, incluiu 137 participantes na avaliação da casimersena. Entretanto, até a publicação da revisão sistemática, os resultados finais específicos para a casimersena não estavam disponíveis. 

Resultados de uma análise interina incluindo 43 participantes que foram acompanhados por 48 semanas estavam disponíveis e, assim, foram utilizados na revisão.  Os resultados indicaram incertezas quanto aos efeitos da casimersena na expressão da distrofina, bem como quanto à ocorrência de quaisquer eventos adversos e de eventos adversos graves, uma vez que a certeza das evidências foi considerada muito baixa. 

A capacidade funcional foi avaliada em um dos estudos, mas os dados específicos da casimersena não haviam sido disponibilizados até a publicação da revisão. Os desfechos de função motora, função pulmonar, função cardíaca e qualidade de vida não foram avaliados nos estudos incluídos. 

A revisão também destacou limitações importantes das evidências disponíveis: 

  • no estudo ESSENCE, o número de participantes era pequeno, e havia limitações relacionadas ao relato dos desfechos e à perda de participantes ao longo do estudo. 
  • no outro ECR, o número de participantes também era pequeno, e havia limitações relacionadas à dose de casimersena recebida pelos participantes (que foi inferior à dose recomendada, de 30 mg/kg) durante as primeiras seis semanas de estudo. 
  • ausência de avaliação de desfechos clinicamente relevantes em ambos os estudos, como função pulmonar, função cardíaca e qualidade de vida. 

Segundo os autores, ensaios clínicos randomizados futuros e a publicação dos resultados finais do estudo ESSENCE poderão aprofundar a compreensão sobre a eficácia e a segurança da casimersena e fornecer informações relevantes para avaliações futuras de seu papel no tratamento de pessoas com DMD e mutação passível de salto do éxon 45. 

A revisão sistemática foi realizada pelo Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde/Núcleo de Evidências do Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Departamento de Gestão das Demandas em Judicialização na Saúde do Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Justiça, por meio do PROADI-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde). 

Acesse a revisão sistemática na íntegra:
https://www.pje.jus.br/e-natjus/arquivo-download.php?hash=26ea9cdbfc0ba88651a01e085eb09ce99eefb53c