A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, no final de 2025, sua primeira diretriz global sobre o uso de agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1) e de agonistas duplos do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP/GLP-1) no tratamento da obesidade. 

A diretriz é direcionada a adultos com 19 anos ou mais diagnosticados com obesidade, definida como índice de massa corporal igual ou superior a 30 kg/m². Foram avaliadas três intervenções farmacológicas: liraglutida e semaglutida (agonistas do receptor GLP-1) e tirzepatida (agonista duplo de GIP/GLP-1). Os principais desfechos analisados incluíram redução de peso corporal, qualidade de vida, eventos adversos e mortalidade.

A elaboração da diretriz priorizou a inclusão de ensaios clínicos randomizados que compararam o uso de agonistas de GLP-1 ou GIP/GLP-1 com placebo, programas estruturados de modificação do estilo de vida, outras intervenções farmacológicas para obesidade — inclusive outros agonistas de GLP-1 — ou ausência de tratamento. Além disso, a diretriz considerou o papel de co-intervenções, como terapias comportamentais, analisadas em conjunto com o tratamento medicamentoso.

Com base em evidências de certeza baixa e moderada, a OMS formulou duas recomendações:  

  • Em adultos com obesidade, agonistas do receptor GLP-1 ou agonistas duplos de GIP/GLP-1 podem ser utilizados como tratamento de longo prazo para a obesidade.
  • Em adultos com obesidade que recebem agonistas do receptor GLP-1 ou agonistas duplos de GIP/GLP-1, a terapia comportamental intensiva pode ser oferecida como co-intervenção, integrada a um algoritmo clínico multimodal abrangente.

A diretriz também apresenta declarações de boas práticas, as quais reforçam a importância de intervenções comportamentais e de estilo de vida no manejo da obesidade como ferramentas para potencializar os desfechos em pessoas que estão sendo tratadas com agonistas do receptor GLP-1 ou dos agonistas duplos do receptor GLP-1, e para a prevenção de complicações e comorbidades no contexto da obesidade. 

A diretriz reconhece limitações relevantes, incluindo a ausência de uma avaliação econômica formal, a análise de segurança predominantemente baseada em ensaios clínicos com seguimento de curto a médio prazo (mediana de aproximadamente um ano) e o fato de que a maioria dos estudos incluídos foram financiados pela indústria farmacêutica.

Para saber mais, acesse a Diretriz na íntegra: https://app.magicapp.org/#/guideline/LrRxrL