A esclerose múltipla progressiva é uma condição neurológica crônica caracterizada por um processo inflamatório no cérebro e na medula espinhal. Os principais sintomas são fadiga, dor, espasticidade, perda de sensibilidade e diminuição da força muscular. A esclerose múltipla progressiva não tem cura; alguns medicamentos modificadores da doença têm sido utilizados, mas ainda há lacunas nas evidências sobre opções terapêuticas específicas.
Uma revisão sistemática publicada em setembro de 2024 avaliou os efeitos de diferentes medicamentos modificadores da doença, entre eles o ocrelizumabe. Vinte três ensaios clínicos foram incluídos e mais de 10 mil participantes com esclerose múltipla progressiva foram avaliados.
Foi observado que:
• A taxa de descontinuação do tratamento devido a eventos adversos provavelmente é maior com o uso do ocrelizumabe quando comparado ao placebo.
• Os efeitos do ocrelizumabe sobre a progressão da incapacidade, a ocorrência de eventos adversos graves e o número de pessoas com recidivas permanecem incertos.
A revisão também ressalta limitações importantes: o número reduzido de estudos disponíveis, a ausência de estudos comparando diretamente os diferentes medicamentos entre si, o tempo de acompanhamento relativamente curto para uma doença de evolução prolongada e a possibilidade de influência da indústria farmacêutica sobre os resultados.
Diante desse cenário, as evidências disponíveis não permitem confirmar a capacidade do ocrelizumabe de de modificar de forma significativa o curso clínico da esclerose múltipla progressiva a longo prazo. Para o futuro, os autores defendem a necessidade de ensaios clínicos mais extensos, que incluam comparações diretas entre tratamentos e contemplem desfechos de maior relevância para os pacientes, como qualidade de vida, preservação cognitiva e manutenção da autonomia funcional.
Acesse a revisão sistemática na íntegra:

