A doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa progressiva e a principal causa de demência em pessoas idosas. Caracteriza-se pelo comprometimento gradual da memória, da linguagem, do raciocínio e da capacidade de realizar atividades cotidianas, o que impacta significativamente a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes e de seus cuidadores. Apesar dos avanços no tratamento farmacológico, ainda há interesse em intervenções não medicamentosas que possam auxiliar no manejo da doença.
A estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC) é uma técnica não invasiva de neuromodulação que utiliza correntes elétricas de baixa intensidade aplicadas no couro cabeludo com o objetivo de modificar a atividade cerebral. Essa intervenção tem sido investigada como uma estratégia potencial para melhorar as funções cognitivas e outros sintomas associados à doença de Alzheimer.
Diante desse contexto, foi conduzida uma revisão sistemática que avaliou a eficácia e a segurança da ETCC em pessoas com doença de Alzheimer. O estudo foi realizado pelo Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde/Núcleo de Evidências do Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Departamento de Gestão das Demandas em Judicialização na Saúde do Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Justiça, por meio do PROADI-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde).
A revisão identificou 22 ensaios clínicos randomizados, envolvendo 868 participantes com doença de Alzheimer. Os estudos compararam a ETCC à estimulação simulada (placebo) e avaliaram diferentes protocolos de estimulação, com variações na intensidade da corrente, na duração das sessões e nas áreas cerebrais estimuladas.
Os resultados indicam que, em comparação com a estimulação simulada, a ETCC apresenta efeitos incertos sobre a:
• Função cognitiva.
• Sintomas neuropsiquiátricos.
• Capacidade de realizar atividades de vida diária.
• Risco de eventos adversos, incluindo eventos adversos graves.
Ressalta-se que a certeza das evidências foi considerada muito baixa para os principais desfechos avaliados, principalmente devido a limitações metodológicas dos estudos, à inconsistência entre os resultados e à imprecisão das estimativas. Além disso, nenhum estudo avaliou o efeito da ETCC sobre a qualidade de vida dos participantes. Dessa forma, os achados atualmente disponíveis não permitem concluir se a ETCC oferece benefícios clínicos relevantes para pessoas com doença de Alzheimer, reforçando a necessidade de novos estudos de maior qualidade metodológica para esclarecer sua eficácia e segurança.
Leia a revisão sistemática:
https://www.pje.jus.br/e-natjus/arquivo-download.php?hash=277173309b454424ad403dd3584f2979e8d70415

