Enxaqueca crônica é um distúrbio neurológico caracterizado por dores de cabeças intensas com frequência de pelo menos 15 dias ao mês1. Estima-se que a prevalência de dores de cabeça crônicas diária atinja 6,1% da população brasileira, principalmente as mulheres2. Para o tratamento farmacológico da enxaqueca crônica encontram-se como abordagem de primeira linha os anticorpos monoclonais: erenumabe, galcanezumabe, fremanezumabe e eptinezumabe, que são administrados por via intravenosa ou injeção subcutânea.
Uma revisão sistemática com metanálise em rede3 avaliou a eficácia e segurança das principais terapias preventivas para enxaqueca crônica em adultos, incluindo os anticorpos monoclonais, topiramato e toxina botulínica tipo A. Foram considerados 24 ensaios clínicos randomizados com acompanhamento mínimo de 12 semanas, envolvendo 8.789 pacientes.
Os resultados demonstraram que os anticorpos monoclonais erenumabe, fremanezumabe, galcanezumabe e eptinezumabe:
- demonstraram eficácia com redução da frequência de crises de enxaqueca e baixa taxa de descontinuação do tratamento;
- erenumabe e fremanezumabe apresentaram a combinação mais favorável entre eficácia e tolerabilidade;
- os anticorpos monoclonais provocaram menor incidência de efeitos adversos e maior adesão ao tratamento.
A toxina botulínica tipo A também mostrou benefício consistente, embora com menor magnitude que os anticorpos monoclonais. Já os medicamentos orais, como topiramato, mantiveram eficácia, mas apresentaram maior taxa de descontinuação por eventos adversos.
Os autores não avaliaram a certeza da evidência, apoiando suas conclusões apenas em análises de rede probabilísticas. Apesar da consistência global dos resultados, reconheceram como limitações a heterogeneidade entre os estudos incluídos, a predominância de comparações indiretas entre tratamentos, e a possibilidade de viés de publicação decorrente do financiamento industrial.
Referências:
1. Headache Classification Committee of the International Headache Society (IHS). The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition (ICHD-3). Cephalalgia. 2018;38(1):1-211. Versão em português: Comitê de Classificação das Cefaleias da Sociedade Internacional de Cefaleia; Kowacs F, Macedo DDP, Silva-Néto RP, trads. Classificação Internacional das Cefaleias. 3ª ed. São Paulo: Omnifarma; 2018. Disponível em: https://ihs-headache.org/wp-content/uploads/2021/03/ICHD-3-Brazilian-Portuguese.pdf
2. Queiroz LP, Silva Junior AA. The prevalence and impact of headache in Brazil. Headache. 2015 Feb;55 Suppl 1:32-8. doi: 10.1111/head.12511. Epub 2015 Feb 6. PMID: 25659407.
3. Zhao C, Li C, Yu X, Dai X, Zou W. Effectiveness and safety of pharmacological prophylaxis for chronic migraine: a systematic review and network meta-analysis. J Neurol. 2024 Sep;271(9):5762-5777. doi: 10.1007/s00415-024-12512-z.

