A dermatite atópica é uma doença crônica inflamatória que provoca lesões na pele e apresenta sintomas como descamação e coceira. Pessoas com dermatite atópica podem ter a qualidade de vida afetada pelas características da doença, e o acesso a tratamentos seguros e eficazes é essencial para o controle da doença. Tratamentos tópicos e sistêmicos estão disponíveis, mas podem não ser eficazes, a depender do caso. Assim, o acesso a medicamentos para o tratamento da dermatite atópica permanece sendo uma demanda, e configura um desafio para a medicina baseada em evidências.

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) decidiu, em outubro de 2024, por não recomendar a incorporação ao SUS dos medicamentos abrocitinibe, baricitinibe, dupilumabe e upadacitinibe para o tratamento de adultos com dermatite atópica moderada a grave que falharam, não toleram ou têm contraindicação à ciclosporina. A decisão foi baseada em análises clínicas e econômicas detalhadas.

De acordo com o relatório da CONITEC, evidências de certeza moderada a alta, disponíveis em 24 revisões sistemáticas de ensaios clínicos randomizados, mostraram que todas as terapias avaliadas foram superiores ao placebo quanto à maior redução dos sinais clínicos, intensidade do prurido e melhora na qualidade de vida após 16 semanas. O upadacitinibe destacou-se como o mais eficaz para controle dos sintomas, enquanto o abrocitinibe obteve melhor desempenho na melhoria da qualidade de vida. Quanto ao perfil de segurança, não houve diferenças significativas em eventos adversos graves em comparação ao placebo.

Na avaliação econômica, considerando um horizonte temporal de vida inteira, todas as tecnologias mostraram-se mais efetivas, porém mais custosas quando comparadas à Melhor Prática Clínica. O baricitinibe apresentou a melhor razão de custo-utilidade incremental (R$ 38.955,03/QALY), porém, apresentou menor efetividade incremental quando comparado às outras tecnologias. As demais terapias – upadacitinibe (R$ 71.640,79/QALY), abrocitinibe (R$ 149.153,02/QALY) e dupilumabe (R$ 384.548,90/QALY) – excederam o limiar de custo-efetividade estabelecido (≤ R$ 40.000/QALY). Nas análises de impacto orçamentário, considerando uma taxa de adoção no mercado entre 20% e 60% ao longo de cinco anos, a incorporação dos quatro medicamentos representaria um impacto financeiro estimado em R$51 bilhões.

A decisão da CONITEC baseou-se no impacto orçamentário elevado, mesmo após ajustes econômicos e propostas de preço das empresas. O relatório reforça a importância de alinhar evidências científicas, custo-efetividade e sustentabilidade do sistema na tomada de decisões na área da saúde.

Acesse o relatório na íntegra:
https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/2024/20241029_relatorio_930_biologicos_da_adulto.pdf